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Por VICTOR MIRSHAWKA 18 nov, 2017

Você já foi convidado a participar de uma reunião para conhecer um plano de time sharing , ou, em outras palavras, o melhor plano de férias que alguém poderia lhe oferecer na vida? Tendo ou não comprado o plano, no mínimo você memorizou o significado da expressão.

O que tem a ver isso com a sua carreira?

Durante algum tempo, time sharing foi uma das principais buzzwords no mercado de turismo. Explique-se: buzzword é uma palavra nova,  representando uma ideia ou tendência que vira moda porque causa um alarde, um buzz . Algo como um viral ou um meme, mas linguístico.

No universo de buzzwords associadas à carreira, tais como mentoring , coaching e outsourcing, time sharing tem chance de estar na base da mudança do paradigma do trabalho.

O conceito de time sharing pressupõe que você compre, ao invés de férias num lugar específico e num período pré-determinado, um “intervalo de tempo genérico”, por exemplo, duas semanas ao ano. E você determina onde e quando vai usufruir deste período, escolhendo uma ampla rede de hotéis inserida no sistema, que envolve também os operadores da modalidade. Entre os benefícios estão: melhor gestão de custos, decorrente da menor ociosidade na rede hoteleira, diminuição do preço para o cliente e maior flexibilidade, pelo uso do serviço sob demanda. Uma mudança de paradigma que favoreceu o desempenho do negócio.

As relações de trabalho atualmente ainda são, na sua maioria, de um para um, ou seja, de uma empresa para um funcionário. A empresa contrata o colaborador e o remunera pela dedicação integral. Todavia, há muitos sinais apontando para a tendência de que, num futuro próximo, as empresas poderão optar por contratar o profissional por um pacote determinado de horas, ou por um serviço / produto / projeto específico. E este profissional pode estar em qualquer lugar do mundo. Isso não é o mesmo que outsourcing ou terceirização, pois vai afetar diretamente a relação entre o profissional e a empresa, e não a relação entre uma empresa que subcontrata outra para fazer funções específicas de negócio, como no caso de um call center .

Entre os indícios, temos a expansão das plataformas de concorrência criativa, como aquelas que oferecem o serviço de design . Se você quer comprar uma ilustração ou um layout , pode, através delas, disponibilizar sua demanda para um banco de designers amplo e espalhado geograficamente. Os que se interessarem pelo seu projeto concorrem entre si, enviando suas propostas, para que você escolha a melhor e obviamente pague por isso. Você não precisa contratar o designer em tempo integral. Os designers podem “trabalhar” para múltiplos clientes, sem necessariamente ter vínculo específico com nenhum deles. E se este raciocínio se aplica a um trabalho criativo como design, porque não deveria ser aplicado a profissionais de marketing, RH, contabilidade, vendas e outros, que podem vender seu conhecimento, inteligência e criatividade fracionando seu tempo?

Você consegue se imaginar “negociando” seu trabalho com diversos compradores diferentes?

Antes que você possa dar pulos de alegria pelo fato de que, neste novo mundo, haverá mais autonomia, lembre-se de que o nível de competitividade crescerá também. Você poderá “se vender” a muitas empresas, mas elas poderão comparar seu desempenho com uma quantidade maior de concorrentes, inclusive dispostos a cobrar menos. Isto pode favorecer o aparecimento de um sistema do tipo employee sharing , onde as corporações poderão adquirir pacotes de competências ao invés de contratar empregados, por um preço progressivamente menor.

É fato que se o futuro do trabalho for realmente o do time sharing , ou do employee sharing , somente os melhores, mais dedicados e mais talentosos sobreviverão. Mas isso sempre foi assim, com ou sem buzzwords . A moral da história continua sendo a necessidade de aliar seus sonhos de vida a um planejamento estratégico de carreira, onde suas competências e talentos possam ser desenvolvidos de maneira focada e seu esforço disciplinado de trabalho os torne importantes e valiosos para o mercado, mesmo que a forma de vendê-los mude. As buzzwords servem de tempero a esta fórmula que dificilmente mudará.

Por VICTOR MIRSHAWKA 18 nov, 2017

Você já foi convidado a participar de uma reunião para conhecer um plano de time sharing , ou, em outras palavras, o melhor plano de férias que alguém poderia lhe oferecer na vida? Tendo ou não comprado o plano, no mínimo você memorizou o significado da expressão.

O que tem a ver isso com a sua carreira?

Durante algum tempo, time sharing foi uma das principais buzzwords no mercado de turismo. Explique-se: buzzword é uma palavra nova,  representando uma ideia ou tendência que vira moda porque causa um alarde, um buzz . Algo como um viral ou um meme, mas linguístico.

No universo de buzzwords associadas à carreira, tais como mentoring , coaching e outsourcing, time sharing tem chance de estar na base da mudança do paradigma do trabalho.

O conceito de time sharing pressupõe que você compre, ao invés de férias num lugar específico e num período pré-determinado, um “intervalo de tempo genérico”, por exemplo, duas semanas ao ano. E você determina onde e quando vai usufruir deste período, escolhendo uma ampla rede de hotéis inserida no sistema, que envolve também os operadores da modalidade. Entre os benefícios estão: melhor gestão de custos, decorrente da menor ociosidade na rede hoteleira, diminuição do preço para o cliente e maior flexibilidade, pelo uso do serviço sob demanda. Uma mudança de paradigma que favoreceu o desempenho do negócio.

As relações de trabalho atualmente ainda são, na sua maioria, de um para um, ou seja, de uma empresa para um funcionário. A empresa contrata o colaborador e o remunera pela dedicação integral. Todavia, há muitos sinais apontando para a tendência de que, num futuro próximo, as empresas poderão optar por contratar o profissional por um pacote determinado de horas, ou por um serviço / produto / projeto específico. E este profissional pode estar em qualquer lugar do mundo. Isso não é o mesmo que outsourcing ou terceirização, pois vai afetar diretamente a relação entre o profissional e a empresa, e não a relação entre uma empresa que subcontrata outra para fazer funções específicas de negócio, como no caso de um call center .

Entre os indícios, temos a expansão das plataformas de concorrência criativa, como aquelas que oferecem o serviço de design . Se você quer comprar uma ilustração ou um layout , pode, através delas, disponibilizar sua demanda para um banco de designers amplo e espalhado geograficamente. Os que se interessarem pelo seu projeto concorrem entre si, enviando suas propostas, para que você escolha a melhor e obviamente pague por isso. Você não precisa contratar o designer em tempo integral. Os designers podem “trabalhar” para múltiplos clientes, sem necessariamente ter vínculo específico com nenhum deles. E se este raciocínio se aplica a um trabalho criativo como design, porque não deveria ser aplicado a profissionais de marketing, RH, contabilidade, vendas e outros, que podem vender seu conhecimento, inteligência e criatividade fracionando seu tempo?

Você consegue se imaginar “negociando” seu trabalho com diversos compradores diferentes?

Antes que você possa dar pulos de alegria pelo fato de que, neste novo mundo, haverá mais autonomia, lembre-se de que o nível de competitividade crescerá também. Você poderá “se vender” a muitas empresas, mas elas poderão comparar seu desempenho com uma quantidade maior de concorrentes, inclusive dispostos a cobrar menos. Isto pode favorecer o aparecimento de um sistema do tipo employee sharing , onde as corporações poderão adquirir pacotes de competências ao invés de contratar empregados, por um preço progressivamente menor.

É fato que se o futuro do trabalho for realmente o do time sharing , ou do employee sharing , somente os melhores, mais dedicados e mais talentosos sobreviverão. Mas isso sempre foi assim, com ou sem buzzwords . A moral da história continua sendo a necessidade de aliar seus sonhos de vida a um planejamento estratégico de carreira, onde suas competências e talentos possam ser desenvolvidos de maneira focada e seu esforço disciplinado de trabalho os torne importantes e valiosos para o mercado, mesmo que a forma de vendê-los mude. As buzzwords servem de tempero a esta fórmula que dificilmente mudará.

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